Prólogo
[Saudação]
Nós, os Carmelitas, chamados
pelo Espírito do Ressuscitado a servirmos a Igreja, saudamos em
Maria, a Senhora do Carmo, todos os que no mundo actual querem
viver a sua fé segundo o nosso carisma.
[O Seguimento do
Ressuscitado]
Muitas vezes e de muitas
maneiras, ao longo da sua história a Igreja estabeleceu como
cada um dos seus filhos, qualquer que seja a sua forma de vida,
deve viver no obséquio de Jesus Cristo. De acordo com o nosso
projecto de vida em comum, nós, os Carmelitas, comprometemo-nos
a viver esta fórmula de vida que vos apresentamos:
Estruturas de vida em comum
[1. O responsável e os
conselhos evangélicos]
Estabelecemos que cada
Comunidade tenha um responsável que deve ser eleito para esta
missão com a aprovação dos membros que a integram. Na presença
dele prometereis os conselhos evangélicos e mutuamente vos
ajudareis a manter a promessa feita. São os conselhos
evangélicos 3 atitudes ou formas de vida: a) Pobreza: viver sem
estar apegado aos bens materiais e partilhá-los com os demais;
b) Obediência: ter um espírito de serviço e de disponibilidade
para com as necessidades da Comunidade. c) Castidade: amadurecer
na afectividade e no amor.
[2. Lugares onde reunir]
Podereis fixar os vossos
lugares de encontro onde julgardes mais adequado e conveniente
segundo o vosso projecto de vida, e segundo o acordo dos membros
da Comunidade.
[3. A cela dos irmãos]
Além das reuniões, e tendo em
conta o trabalho que cada membro da Comunidade desempenha na
sociedade, cada um de vós buscará tempo para a oração, para a
reflexão sobre a vida e para a leitura espiritual, segundo o
tema que a própria Comunidade tenha determinado periodicamente.
[4. Tempo de partilha]
Procurai que o vosso tempo
livre seja um lugar de encontro com os restantes membros da
Comunidade, partilhando assim o alimento e o lazer; tende sempre
presente a Cristo entre vós.
[5. A fidelidade à cela]
Perante um qualquer
acontecimento ou mudança que aconteça na vossa vida partilhai-o
com a Comunidade para receberdes o seu conselho e o seu apoio, e
assim vos mantereis fiéis à vossa vida espiritual.
[6. O serviço do Responsável]
Que a vossa Comunidade seja
acolhedora e hospitaleira. Quando alguém vier visitar-vos seja o
vosso Responsável aquele que, em nome da Comunidade, se ocupe do
seu acolhimento. E em tudo mais que se houver de fazer, tenha-se
em conta a sua opinião e dialogue-se em comum.
[7. A Palavra, plenitude da
solidão]
Todos e cada um dos membros
da Comunidade se comprometa pessoalmente a ler, meditar e
interiorizar a Palavra de Deus, e, desde a Palavra a realizar
convenientemente as tarefas do dia-a-dia.
[8. A celebração do louvor]
Seja a oração um distintivo
da vossa Comunidade, de tal forma que, cada membro da Comunidade
chegue a descobrir em comum o sentido da oração na vida cristã.
[9. Comunhão de bens e
pobreza]
Nenhum irmão diga que algo é
propriedade sua; antes tereis tudo em comum. Por isso, a
Comunidade disporá de um fundo comum que sirva para responder as
necessidades materiais que surjam e para colaborar com o
apostolado da Igreja.
[10. Lugar da oração e da
eucaristia]
Em cada reunião da Comunidade
esta dedicará um tempo apropriado para a oração. E acordar-se-á,
periodicamente, uma celebração comunitária da Eucaristia, sempre
e quando as circunstâncias o permitam.
[11. Diálogo e correcção
fraterna]
No dia do vosso encontro, ou
num outro dia se for necessário, exercei o diálogo em função do
crescimento humano e espiritual da Comunidade. Nestas ocasiões
corrigi-vos mutuamente e com caridade as faltas e perdoai-vos os
desaguisados que tenham podido surgir entre os irmãos.
Ascese corporal
[12-13. Jejum e abstinência]
Frente a um mundo que defende
e promove os valores da insolidariedade, do consumismo, da
injustiça e da violência, cada membro da Comunidade se absterá
de seguir todas as atitudes que favoreçam tal. E na revisão de
vida da Comunidade se insistirá na vivência deste compromisso.
Para fortificar o homem
interior
[14. O combate espiritual]
Porque a vida do homem é um
tempo de luta; e porque todos os que se decidem a seguir a
Cristo vivem em contradição com os valores deste mundo, a
Comunidade procurará revestir-se com a armadura de Deus para se
manter unida e forte: a) vivei, pois, a vossa afectividade com
maturidade; b) procurai ter pensamentos santos; c) revesti-vos
com a couraça da justiça, por forma a que ameis o Senhor vosso
Deus com todo o coração e com toda a mente e com todas as
forças, e ao vosso próximo como a vós mesmos; d) sede fortes na
fé a fim de vencerdes a tentação, pois sem fé é impossível
agradar a Deus. Senti-vos transformados pelo Senhor, por forma a
que só n’Ele ponhais a vossa esperança. e) Finalmente, a espada
do Espírito, isto é, a Palavra de Deus, habite em toda a sua
riqueza na vossa boca e nos vossos corações, e aquilo que devais
fazer fazei tudo segundo a Palavra de Deus.
[15. O trabalho]
Que cada membro da Comunidade
desempenhe um trabalho digno que o realize como pessoa e que o
identifique como um ser útil para a sociedade e para a
construção do Reino. Nisto tendes o ensino e o testemunho
exemplar do Apóstolo Paulo, por cuja boca falava Cristo e que
foi constituído e dado por Deus como pregador e mestre das
gentes na fé e na verdade: se o seguirdes não vos enganareis.
«Nós vivemos entre vós, diz o Apóstolo, trabalhando com
canseira, dia e noite, para não sermos pesado a nenhum de vós.
Não que não tivéssemos o direito a sermos alimentados, mas para
vos darmos com a nossa maneira de actuar um exemplo para imitar.
Quando estávamos entre vós repetíamos com insistência: se alguém
não quer trabalhar também não coma. Porém, já ouvimos dizer que
alguns de vós não trabalham e andam irrequietos de cá para lá. A
esses advertimos, e os exortamos no Senhor Jesus Cristo a
trabalhar, a deixar o ‘diz-que-disse’ e a ganhar o próprio pão.
Este caminho é santo e bom: segui-o»
[16. O silêncio]
Por entre este mundo de
pressas e de ruídos buscareis a solidão a fim de vos
encontrardes convosco mesmos e com Deus. Evitai as críticas, as
calúnias e as murmurações.
Serviço e autoridade na
Comunidade madura
[17. O Prior, servo humilde]
O responsável da Comunidade
tenha sempre presente na mente e na prática aquilo que diz o
Evangelho: «aquele que entre vós quiser ser o maior, seja o
vosso servo; e o que entre vós quiser ser o primeiro, seja o
vosso escravo».
[18. A obediência ao Prior]
Vós os membros da Comunidade
respeitareis a figura do responsável, considerando que foi
colocado no meio de vós por vontade de Deus e para vosso
serviço. Trabalhareis com ele co-responsavelmente no andamento
da Comunidade.
Epílogo
[Fidelidade generosa e
discernimento]
Esta adaptação de tão grande
proveito da norma de vida do Carmo nós vo-la apresentamos na
esperança de que, servindo-vos das adaptações que julgueis
necessárias, vos decidais a seguir o nosso carisma. Que este
projecto alcance os seus objectivos: irmanar-nos na família do
Carmo e nos aproxime ao Pai através da mediação da Virgem, Nossa
Mãe e Senhora.