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Ordem dos Padres Carmelitas Descalços em Portugal

   
 

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«O melhor teólogo
é aquele que sabe
explicar a teologia
como Jesus Cristo:
por meio de contos,
sem conceitos,
através da vida,
como fazia Jesus com
as suas parábolas
e com os acontecimentos
da vida quotidiana.
»

(Anthony de Mello)

 

Contos

Belo coração
 

Um dia um jovem homem posicionou-se no centro duma aldeia e proclamou bem alto que possuía o coração mais belo de toda a região.

Aproximou-se uma grande multidão que o rodeou e todos viram e confirmaram que o seu coração era perfeito, pois não se viam nele quaisquer manchas ou riscos. Sim, todos foram unânimes em considerar aquele coração como o mais belo coração jamais visto.

Ao ver-se admirado o jovem sentiu-se ainda mais orgulhoso, e ainda com mais convicção assegurou ter o mais belo coração daquela vasta região.

Foi então que se aproximou um ancião e lhe perguntou: — Porque afirmas isso, se o teu coração nem se aproxima da beleza do meu?

Surpreendidos, a multidão e o jovem, olharam para o coração do velho e viram que batia fortemente, mas estava cheio de cicatrizes e nalguns lugares faltavam pedaços que haviam sido substituídos por outros que não encaixavam bem. Viam-se rebordos e arestas irregulares e isso era prova evidente de encaixes frustrados. E também se podiam ver algumas ausências onde falhavam pedaços consideráveis.

Os olhares das pessoas baixaram para o chão, enquanto iam perguntando-se: — Como pode o velho afirmar que o seu coração é o mais belo?

Por sua vez, também o jovem analisou o coração do velho, mas ao vê-lo naquele estado mal-arremendado partiu-se a rir. Por fim disse: — Deves estar a brincar connosco. Compara o teu coração com o meu... O meu é perfeito! E o teu é um conjunto de cicatrizes e de dor.

— É verdade, respondeu o velho, o teu coração tem um brilho perfeito; porém, eu jamais me relacionaria contigo.

Olha para o meu: cada cicatriz representa uma pessoa a quem ofereci o meu amor. Arranquei pedaços do meu coração para os oferecer a quem amei. Muitos outros, por sua vez, obsequiaram-me com um pedaço do seu e os coloquei no buraco que fora aberto. Como os pedaços não eram iguais ficaram uns restos e umas pontas que me dão muita alegria, pois me recordam o amor partilhado.

Nalgumas alturas ofereci pedaços do meu coração a algumas pessoas, que não me retribuíram o seu: foi por isso que ficaram algumas falhas. Oferecer amor é um risco, mas apesar da dor que essas feridas me provocam por terem ficado abertas, recordam-me que os continuo a amar e assim alimento a esperança de um dia conseguir preencher o vazio que deixaram no meu coração.

Compreendes agora o que é verdadeiramente belo?

O jovem continuava em silêncio enquanto as lágrimas escorria pela face. Depois aproximou-se do ancião, arrancou um pedaço do seu belo coração e ofereceu-lho. O ancião aceitou-o e colocou-o no seu coração, depois, por sua vez, arrancou um pedaço do seu velho e maltratado coração e com ele tapou a ferida aberta do jovem.

O pedaço colou-se ao novo coração, mas não na perfeição. Ficaram a ver-se uns rebordos nada estéticos. O jovem olhou o seu coração que já não era perfeito. Porém, era mais bonito que antes pois nele fluia agora sangue daquele velho.

 


 

 

 
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