A corrida dos sapinhos
Era uma vez... uma corrida de sapinhos!
O objectivo da corrida era atingir o cimo duma alta
montanha. Era de manhã, cedinho, e havia uma multidão
enorme a assistir à inédita competição. Havia também
muitos jornalistas e repórteres . A enorme multidão
vibrava e aplaudia, ansiosos que a corrida começasse e
que todos atingissem os objectivos.
Deu-se o sinal de partida. E os sapinhos começaram a
competição com saltos pequeninos. Aquilo não era bem uma
corrida, era mais uma imensa saltadoria. Em pouco tempo
a multidão verificou que o objectivo seria difícil de
alcançar, senão inalcançável. Por isso a multidão deixou
de aplaudir e passou a dizer:
— «Que pena! Os sapinhos não vão conseguir! Estamos
mesmo a ver que não vão conseguir!».
O certo é que os sapinhos começaram com grande coragem,
mas, pouco a pouco, foram desistindo uma após o outro, à
medida que o cansaço ia tomando conta deles. Entre os
que resistiam havia um que se via que subia de maneira
diferente. Subia com grande coragem e persistência,
procurando a vitória. Enquanto isso, a multidão
continuava a gritar:
— «Que pena! Os sapinhos não vão conseguir! Estamos
mesmo a ver que não vão conseguir!». E os sapinhos
continuavam a desistir um a um, menos aquele sapinho que
seguia certinho e tranquilo na sua marcha, embora cada
vez mais cansado e com os bofes saindo todos pela boca
fora.
Já com a meta à vista, isto é, com o cimo da montanha à
vista, ainda havia alguns sapinhos a saltar, a correr. E
a multidão continuava:
— «Que pena! Nenhum dos sapinhos vai conseguir! Estamos
mesmo a ver que não vão conseguir!». Próximo do final
todos desistiram. Todos menos aquele sapinho, que ao
cortar a meta saltou de satisfação.
A curiosidade tomou conta de todos. Extraordinário! Como
fora possível que um sapinho tão pequenino tivesse
subido montanha acima? Aquela tarefa era gigantesca e
dificilíssima! E assim, quando os repórteres caíram
sobre o vencedor, e lhe perguntaram como tinha
conseguido concluir a prova, aí sim, descobriram... Mas,
que sucedia? Por mais perguntas que lhe fizessem, o
sapinho nada respondia. Apenas registavam o enorme
contentamento e admiração do sapinho vencedor por tantas
atenções à sua volta. Ele só conseguia pensar:
— «Que se passa com esta gente tola?»
Simultaneamente os jornalistas e a multidão
interrogavam-se entre si:
— «Que se passa com o sapinho? É doido?»
A resposta para tanta admiração, tanta alegria estranha
e já agora para a vitória era simples: o sapinho
vencedor era surdo!