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Ordem dos Padres Carmelitas Descalços em Portugal

   
 

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«O melhor teólogo
é aquele que sabe
explicar a teologia
como Jesus Cristo:
por meio de contos,
sem conceitos,
através da vida,
como fazia Jesus com
as suas parábolas
e com os acontecimentos
da vida quotidiana.
»

(Anthony de Mello)

 

Contos

A corrida dos sapinhos

 

Era uma vez... uma corrida de sapinhos!

O objectivo da corrida era atingir o cimo duma alta montanha. Era de manhã, cedinho, e havia uma multidão enorme a assistir à inédita competição. Havia também muitos jornalistas e repórteres . A enorme multidão vibrava e aplaudia, ansiosos que a corrida começasse e que todos atingissem os objectivos.

Deu-se o sinal de partida. E os sapinhos começaram a competição com saltos pequeninos. Aquilo não era bem uma corrida, era mais uma imensa saltadoria. Em pouco tempo a multidão verificou que o objectivo seria difícil de alcançar, senão inalcançável. Por isso a multidão deixou de aplaudir e passou a dizer:

— «Que pena! Os sapinhos não vão conseguir! Estamos mesmo a ver que não vão conseguir!».

O certo é que os sapinhos começaram com grande coragem, mas, pouco a pouco, foram desistindo uma após o outro, à medida que o cansaço ia tomando conta deles. Entre os que resistiam havia um que se via que subia de maneira diferente. Subia com grande coragem e persistência, procurando a vitória. Enquanto isso, a multidão continuava a gritar:

— «Que pena! Os sapinhos não vão conseguir! Estamos mesmo a ver que não vão conseguir!». E os sapinhos continuavam a desistir um a um, menos aquele sapinho que seguia certinho e tranquilo na sua marcha, embora cada vez mais cansado e com os bofes saindo todos pela boca fora.

Já com a meta à vista, isto é, com o cimo da montanha à vista, ainda havia alguns sapinhos a saltar, a correr. E a multidão continuava:

— «Que pena! Nenhum dos sapinhos vai conseguir! Estamos mesmo a ver que não vão conseguir!». Próximo do final todos desistiram. Todos menos aquele sapinho, que ao cortar a meta saltou de satisfação.

A curiosidade tomou conta de todos. Extraordinário! Como fora possível que um sapinho tão pequenino tivesse subido montanha acima? Aquela tarefa era gigantesca e dificilíssima! E assim, quando os repórteres caíram sobre o vencedor, e lhe perguntaram como tinha conseguido concluir a prova, aí sim, descobriram... Mas, que sucedia? Por mais perguntas que lhe fizessem, o sapinho nada respondia. Apenas registavam o enorme contentamento e admiração do sapinho vencedor por tantas atenções à sua volta. Ele só conseguia pensar:

— «Que se passa com esta gente tola?»

Simultaneamente os jornalistas e a multidão interrogavam-se entre si:

— «Que se passa com o sapinho? É doido?»

A resposta para tanta admiração, tanta alegria estranha e já agora para a vitória era simples: o sapinho vencedor era surdo!


 

 

 
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